No entanto, sabemos que a teoria é sempre mais fácil do que a prática. Imagine a cena: você está em um ambiente cheio de pessoas — um restaurante, um supermercado ou uma reunião de família — e a criança começa a apresentar um comportamento inadequado. Como pais ou cuidadores, temos a plena consciência de que a situação exige uma intervenção. Por outro lado, ninguém quer expor ou intimidar o filho na frente de estranhos.
E aí, o que fazer? Como equilibrar a necessidade de educar com o respeito à integridade emocional da criança? Saiba como usar a Disciplina Positiva para corrigir os pequenos em público sem gerar constrangimentos.
1. Chamar a atenção é diferente de brigar
Antes de mais nada, vale ressaltar que existe uma distância abissal entre chamar a atenção e brigar. A bronca tradicional foca no erro e no julgamento; a correção consciente foca na solução e no aprendizado. Em vez de apenas apontar o que a criança fez de errado, o adulto pode e deve mostrar a atitude certa.
Ao dar uma bronca, quase sempre os pais apenas transmitem a informação de que não gostaram de algo, mas não dão à criança a oportunidade de aprender. Já quando os pais usam o comportamento ruim como uma chance para ensinar, eles capacitam os filhos a usarem alternativas mais saudáveis para resolverem seus problemas.
Quando brigamos (gritando ou expondo a criança), ativamos o sistema de defesa dela (luta ou fuga), o que anula a sua capacidade de absorver uma lição. Quando chamamos a atenção com firmeza e respeito, ativamos a sua capacidade de reflexão.
2. O Poder da disciplina positiva: cuidado com os rótulos
A criança vai apresentar comportamentos considerados errados em vários momentos da vida, mas isso não pode se transformar em uma etiqueta que ela carregará na testa.
Imagine que a professora lhe conta que, naquela semana, seu filho não prestou atenção nas aulas; em vez disso, ficou correndo entre as mesas e conversando com os colegas. Uma reação comum e automática seria confrontar a criança com frases do tipo:
- "Você nunca presta atenção em nada!"
- "Ninguém segura essa criança."
- E a pior delas: "Você é muito mal-educado!"
3. Mudando a abordagem na prática
Em vez de rotular, o caminho é isolar o comportamento e acolher o indivíduo. Voltando ao exemplo da escola, você pode falar algo como: “Você é um ótimo aluno e uma criança inteligente. Tenho certeza de que vamos entender juntos o que está acontecendo para você ter agido assim na aula hoje”.
"Quando os pais dão a seus filhos atenção e aprovação para serem bem-comportados, eles estão praticando a atenção positiva. A atenção positiva significa atrair as crianças para o caminho do acerto, em vez de apenas caçá-las quando erram", diz a psicanalista.
4. Como agir "na hora do sufoco" em público?
Se o comportamento inadequado acontecer na rua, no shopping ou no restaurante, siga estes quatro passos para intervir sem criar um espetáculo:
- Conecte-se antes de corrigir: Não grite do outro lado do cômodo. Aproxime-se. O grito à distância gera exposição e vergonha.
- Mude de ambiente: Se a criança estiver muito alterada, retire-a do local por alguns instantes. Vá até o banheiro, o carro ou um canto mais reservado do estabelecimento. Diga: "Vamos dar uma voltinha ali para conversarmos melhor".
- Olhos nos olhos: Fique na altura da criança (ajoelhe-se ou agache-se). Olhar de cima para baixo transmite autoritarismo e medo. O olhar no mesmo nível transmite segurança e firmeza.
- Fale o que fazer (em vez do que NÃO fazer): O cérebro infantil processa comandos afirmativos muito melhor.
| Em vez de dizer... | Diga... |
| "Não corra no meio das mesas!" | "Por favor, caminhe calmamente ao meu lado." |
| "Pare de gritar!" | "Use a sua 'voz de restaurante', fale mais baixo." |
| "Não mexa aí!" | "Mantenha as suas mãos no seu colo, por favor." |
Três frases que muitos de nós acabamos usando com os pequenos no calor do momento, mas que sabotam o desenvolvimento emocional deles:
1. "Pare com isso agora, ou então..."
Ameaçar uma criança quase nunca é uma boa ideia. Em primeiro lugar, os pais estão ensinando uma habilidade que, na verdade, não querem que os filhos tenham: a capacidade de usar a força bruta, o medo ou a chantagem para obter o que desejam. A longo prazo, a ameaça perde o efeito e mina a autoridade real dos pais.
2. "Se você se comportar, eu te dou um..."
Subornar as crianças é igualmente destrutivo. Esse hábito as desencoraja de cooperar simplesmente pela harmonia e pelo respeito ao ambiente. A barganha transforma a dinâmica familiar em um balcão de negócios. Se usado com frequência, os pais se tornarão reféns do próprio sistema. O risco é ouvir, no futuro, frases como: "Eu só vou arrumar o meu quarto se você me comprar aquele Lego".
3. "Não chore! Não é para tanto."
Ver os filhos chorarem ou fazerem birra em público gera um enorme desconforto e ansiedade nos adultos. Mas quando dizemos "não chore", invalidamos seus sentimentos e comunicamos que suas lágrimas e frustrações são inaceitáveis. A criança aprende a reprimir suas emoções, o que quase sempre funciona como uma panela de pressão: gerará explosões emocionais ainda mais intensas lá na frente.
Palavra Final
Educar sem constranger não significa ser permissivo ou deixar a criança fazer o que quiser. Significa ter a maturidade de entender que o adulto da relação é você. Controlar os próprios impulsos antes de tentar controlar o comportamento do seu filho é o primeiro e mais importante passo para uma parentalidade verdadeiramente saudável e conectada.
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