Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Romanos 14:5
Nem todos os irmãos compreendem todas as questões da vida cristã da mesma maneira. Pessoas sinceras, que amam a Deus e desejam obedecer à Sua Palavra, podem chegar a conclusões diferentes sobre determinadas práticas. Diante disso, precisamos aprender a conversar sem ferir, orientar sem dominar e discordar sem desprezar. A maneira como tratamos quem pensa diferente também revela quanto o evangelho tem transformado nosso coração.
“Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.” Romanos 14:1.
Respeitar a consciência de um irmão significa reconhecer sua responsabilidade pessoal diante de Deus. Podemos apresentar razões, abrir as Escrituras e compartilhar nosso entendimento, mas não devemos exigir que alguém aja contra aquilo que, sinceramente, compreende ser sua obrigação perante o SENHOR. A concordância produzida pela pressão pode esconder uma consciência ferida. A fé precisa de convicção, não apenas de conformidade exterior.
“Tudo o que não provém de fé é pecado.” Romanos 14:23.
Isso não significa que toda interpretação esteja correta ou que a sinceridade dispense o exame da verdade. Contudo, esse princípio vale para todos nós: quem ensina também precisa ouvir; quem corrige também precisa examinar o próprio entendimento. Os bereanos receberam a mensagem com disposição e verificaram nas Escrituras se aquilo era assim.
“Examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.” Atos 17:11.
Respeitar a consciência de cada irmão não significa transformar a verdade bíblica em uma questão de preferência pessoal. Nossa consciência não estabelece a verdade; ela precisa ser instruída pela Palavra de Deus. Por isso, o respeito cristão inclui a disposição de apresentar a verdade com clareza e de acolher a correção quando nós mesmos estivermos enganados.
“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” João 17:17.
Romanos 14 não deve ser usado para justificar qualquer crença ou colocar os mandamentos de Deus à escolha de cada pessoa. Ao tratar das divergências presentes naquele contexto, Paulo ensina que os irmãos não devem desprezar nem condenar uns aos outros. Precisamos, porém, distinguir uma proibição bíblica expressa, um ideal apresentado nas Escrituras e uma aplicação pessoal de seus princípios. Nessas aplicações, precisamos de humildade para não atribuir à nossa interpretação a mesma autoridade da Palavra. Podemos examinar e corrigir um entendimento sem humilhar quem o sustenta.
“Pregues a palavra [...] com toda a longanimidade e doutrina.” 2 Timóteo 4:2.
Precisamos ter cuidado quando transformamos nosso entendimento na medida da fidelidade de todos. Não conhecemos integralmente a história, as dúvidas, os estudos e as lutas espirituais de outra pessoa. Uma divergência, por si só, não nos autoriza a concluir que alguém seja rebelde, desonesto ou indiferente à vontade divina. Podemos avaliar argumentos e atitudes, mas o julgamento das intenções exige um conhecimento que não possuímos.
“Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o SENHOR.” 1 Coríntios 4:5.
Também não devemos confundir firmeza com aspereza. A verdade pode ser apresentada com clareza e mansidão. Humilhar alguém, expor sua consciência ou ameaçar sua comunhão com Deus para obter concordância prejudica o diálogo e pode afastar justamente quem desejávamos ajudar. O servo de Cristo precisa cuidar tanto do conteúdo de suas palavras quanto do espírito com que as pronuncia.
“Ao servo do SENHOR não convém contender, mas, sim, ser brando para com todos.” 2 Timóteo 2:24.
Há situações em que a divergência dá lugar à perseguição, à difamação e à divulgação de acusações falsas. Um irmão passa a ser hostilizado, tem suas palavras distorcidas ou sua sinceridade colocada em dúvida porque não concordou com determinado entendimento. Mesmo quando alguém está equivocado, isso jamais autoriza a mentira, a humilhação ou a tentativa de destruir sua reputação. O compromisso com a verdade também deve governar aquilo que falamos sobre as pessoas.
“Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.” Êxodo 20:16.
Precisamos distinguir a correção fundamentada da agressão: apresentar evidências, examinar uma interpretação e chamar alguém ao arrependimento podem ser expressões de cuidado cristão; espalhar rumores e atribuir intenções sem provas ferem a comunhão. Antes de repetir uma acusação, devemos verificar os fatos e ouvir a pessoa envolvida. Nenhuma defesa da fé justifica o uso da falsidade contra um irmão.
“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.” Efésios 4:25.
O respeito é uma responsabilidade mútua. Quem tem uma convicção não deve ridicularizar quem entende de outra maneira; quem possui uma restrição de consciência também não deve condenar automaticamente quem não compartilha dela. Ambos precisam permanecer dispostos a aprender e atentos ao efeito de suas atitudes sobre o próximo.
“Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.” Romanos 14:19.
Antes de tentar vencer uma discussão, precisamos perguntar se estamos ajudando nosso irmão a conhecer melhor a Deus. Podemos sustentar nossa compreensão com firmeza e, ao mesmo tempo, reconhecer os limites do nosso conhecimento. Quando a Palavra nos corrigir, devemos acolhê-la; quando um irmão precisar de tempo para compreender, devemos tratá-lo com paciência.
“Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” Efésios 4:15.
A consciência do meu irmão merece respeito; a minha também precisa permanecer ensinável. Que nossas conversas sejam conduzidas pela Escritura, acompanhadas de oração e livres do desejo de controlar a fé alheia. Cada um de nós terá de responder pessoalmente a Deus, e essa certeza deve produzir humildade em nossas relações.
“Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.” Romanos 14:12.
(Pr. Adriano Santos)
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