O fenômeno é comum e tem até nome: adolescência do bebê. É quando a criança se dá conta de que é um indivíduo e luta para conquistar o seu espaço – gritando, batendo nos outros ou se jogando no chão. Basicamente, fazendo “birra” diante de situações nas quais sua vontade é contrariada.
Normalmente, este comportamento ocorre a partir de 1 ano e meio até os 3 anos de idade, embora não sejam raros os casos em que a crise se estende até os 4 anos. Cabe aos pais ter muita calma, paciência e ensinar que esse comportamento não leva a nada. Em outras palavras, estabelecer limites para a criança.
A causa para esse período é simplesmente o próprio desenvolvimento natural da criança. A fase dos 2 anos de idade é um período de grandes mudanças para ela. Até então, o pequeno seguia os modelos e as decisões dos pais. Gradualmente, ele passa a perceber-se como indivíduo, com desejos e opiniões próprias, e isso gera uma enorme necessidade de tomar decisões e fazer escolhas por si. Sem dúvida, isso acaba gerando uma grande resistência em seguir os pedidos dos pais.
Contrariar os pais e fazer uso da palavra “não” tornam-se hábitos constantes durante a crise dos 2 anos. Não trata-se exatamente uma ação consciente da criança, mas uma tentativa de atender a esse desejo interior, a essa descoberta de si como um ser independente dos pais.
Por volta dos 2 anos de idade, a crise vem associada a uma fase de desenvolvimento intenso da criança. Neste período ocorre um desenvolvimento cerebral repentino, que inclui uma elevação significativa de sua competência linguística, organização do pensamento e capacidade de explorar o mundo e tomar decisões. Todas essas mudanças trazem para a criança uma nova percepção de autonomia e independência, pois ela percebe que pode interferir na realidade do mundo de acordo com a sua própria vontade.
Nem todas as crianças enfrentam a adolescência do bebê; embora todas estejam sujeitas, algumas crianças demonstram essas características mais intensamente do que outras. Não há a necessidade de tentar evitar esse período e nem há como fazê-lo. O importante é conhecer e lidar de modo construtivo com essa fase dos pequenos.
Diante das tantas descobertas adquiridas pelos bebês, a conduta adequada dos pais deve abranger uma aplicação coerente e equilibrada desses recursos no dia a dia da criança. Intervir no comportamento da criança com broncas ou berros só vai agravar a resistência da criança em obedecer ordens. Portanto, quanto mais adaptativa for a conduta dos pais durante essas crises, mais rápido se observará a redução de sua frequência.
É possível minimizar os efeitos da crise dos dois anos, através de medidas simples dos pais. Por exemplo: se você observou que a rotina do seu filho está lotada de atividades desnecessárias – e que não lhe agradam -, é importante atentar-se às necessidades reais de sua rotina e priorizá-las. Uma rotina de superestimulação e sobrecarga pode prejudicar o convívio da criança com a família e influenciar no surgimento de crises.
É papel dos pais também encorajar os filhos, com bastante carinho e zelo, a realizarem suas tarefas ao longo do dia, bem como aprender a lidar com as frustrações, oferecendo ajuda quando necessário.
Estimule seu filho a fazer escolhas e realizar sozinho suas tarefas, quando possível. É importante ditar as opções à criança e oferecer-lhe a possibilidade de escolha, dando incentivo à sua independência de maneira coerente.
Por fim, coloque em pauta de negociações somente o que for passível de negociação; não ceda à vontade de criança devido à sua birra, pois assim ela poderá se acostumar a materializar seus desejos através de comportamentos inadequados.
(drapaulagirotto.com.br)
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